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O Instituto da Aristocracia por Avanilson A. Araújo - Rede Maringá
23/05/2004
Fruto de um desejo constante de pertencer à elite, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso inaugura seu Instituto. Num primeiro momento constata-se uma coisa que parece peculiar àqueles chamados "intelectuais": o instituto somente poderá ser acessado por pesquisadores.
Quem, afinal, pesquisa no Brasil mesmo?
O reduto da direita travestida pretende ser um espaço "plural" para debater e refletir sobre os problemas de ordem social, política e econômica, no contexto da globalização. A pluralidade proposta faz parte do discurso da "nova direita" que, formada essencialmente por "intelectuais", pretende reconquistar a hegemonia política perdida recentemente em diversas partes do mundo.
A "nova direita" nada mais é do que a tentativa de retomada de espaço dos neoliberais, agora com discurso progressista, já que estão fora dos quadros dos diversos governos.
Outro dado que chama a atenção em relação ao Instituto FHC é a forma de sua manutenção. O ex-presidente "passou o chapéu" por várias grandes empresas para arrecadar fundos para sua "instituição", angariando cerca de 10 milhões de reais.
Um grupo de intelectuais que se reúne, bancado pelo capital, para pensar as soluções para os problemas do mundo, que o próprio capital criou e sustenta. Todas as características do que a filosofia política chama de aristocracia.
Segundo o dicionário de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas [1]:
[...]
A. Aristocracia é a teoria e a prática de governo por uma elite "geralmente hereditária" que é tida como a melhor para governar. Esse é o significado básico e implica uma justificativa moral para que tal elite governe.
B. Há, é lógico, muita dificuldade em se encontrar critérios universalmente aceitáveis pelos quais "o melhor" em qualquer sociedade seja definido ou selecionado" e na prática tais critérios raramente têm sido aplicados.
(...)
C. De forma de governo o termo passa a designar a classe a que pertence o corpo governante, uma ordem aristocrática, o colegiado daqueles que constituem uma classe privilegiada no governo do país: estende-se aos que por nascimento ou pela fortuna ocupam posição acima do resto da comunidade. O poder político e o prestígio de tal classe superior há muito se acham em dissolução.
[...] (Destacamos)
A proposta do ex-presidente FHC encontra-se na contramão da própria história política atual, em que aprofundam-se as discussões sobre formas de democracia mais efetiva que permitam à população não somente o ato voluntário de depositar o voto nas urnas, mas de interferir diretamente nos rumos da coisa pública, seja através do orçamento, seja através de outros mecanismos de gestão democrática.
O Instituto FHC reflete na verdade, aquilo que a personalidade do ex-presidente representa, a idéia de que o povo é um objeto de seus estudos e, não parte integrante de uma sociedade plural e desigual, que possa pensar e articular conjuntamente as saídas para suas grandes questões.
[1] Dicionário de Ciências Sociais. 2ª edição. Fundação Getúlio Vargas – MEC – Fundação de Assistência ao Estudante. Rio de Janeiro. 1987. P. 83
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