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Agricultores se organizam para exportar café à França
06/04/2004
Por volta de 1960, países europeus passaram a comprar artesanato de países em desenvolvimento. Surgia o fair trade ou comércio justo, modelo que visa ao desenvolvimento sustentável de pequenos produtores. Hoje, o fair trade foi o caminho encontrado por agricultores londrinenses para melhorar a qualidade da safra de café e conquistar o mercado mundial. Ao todo, 40 cafeicultores do distrito rural de Lerroville, o mais distante do centro de Londrina (49 km ao sul da região central), investiram no fair trade, criaram associações e vão exportar café orgânico à França.
A parceria foi formalizada em março durante visita do cônsul francês no Brasil, Jean Marc Laforêt, ao prefeito Nedson Micheleti. O protocolo de intenções inclui entidades como o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento. Com o protocolo de intenções, os agricultores têm o objetivo de formalizar a comercialização da produção cafeeira para a cidade de Saint-Etienne, localizada na região leste da França.
Para viabilizar a exportação, os cafeicultores de Lerroville se organizaram em duas associações: a Associação de Produtores Rurais da Comunidade da Água da Laranja Azeda e a Associação de Cafeicultores da Água da Limeira. Além da organização, o fair trade de produtora agrícolas aceita apenas produtos orgânicos, ou seja, isentos de adubos químicos e de agrotóxicos.
O fair trade é importante porque prevê a evolução social da comunidade. Não se resume apenas à venda do café. É um instrumento para o desenvolvimento agrícola sustentável", afirmou Fábio Gonçalves dos Anjos, cafeicultor de Lerroville e presidente da Associação de Produtores Rurais da Comunidade da Água da Laranja Azeda. Outro aspecto importante da exportação é a garantia de preço fixo, superior ao praticado nas principais bolsas do produto.
O café de Lerroville vai chegar à Europa a 120 euros a saca de 60 quilos. Hoje, o produto é comercializado por cerca de 60 dólares. "Vamos vender pelo dobro do que venderíamos aqui. Isso permite programar a próxima safra e melhorar ainda mais as técnicas de produção." Os cafeicultores de Lerroville fazem a adubação verde da lavoura, método pelo qual espécies, como o feijão guandu, plantadas na base da muda de café, fornecem micronutrientes para a planta. "O número de insetos aumentou muito. Em tempo de florada, o cafezal enche de insetos novos", lembrou.
A prefeitura vai doar para as duas associações terreno de 20.100 m², para que os cafeicultores possam instalar máquinas de beneficiamento e torrefação de café. "Queremos entrar também no mercado de Londrina e colocar nosso café nas prateleiras dos supermercados", comentou Fábio dos Anjos. Segundo ele, um dos principais aspectos que contribuem para a qualidade do café de Lerroville é a altitude do distrito, que está 850 m acima do nível do mar. “Café gosta de altitude e isso influencia no aroma e no sabor”, explicou o agricultor, lembrando que o Ministério da Agricultura já realizou testes com o café de Lerroville para atestar a qualidade.
Os produtores que vão exportar café para Saint-Etienne têm propriedades rurais com área entre dois e oito alqueires. “Esta será a nossa primeira colheita orgânica. Pelo que estamos vendo, a produção será grande”, disse.
Os pontos mais polêmicos são a criação do Conselho Nacional da Magistratura, que fará o controle externo do Judiciário, a adoção da súmula impeditiva de recurso para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e para o Tribunal Superior do Trabalho (TST), e a quarentena de três anos para que magistrados e membros do Ministério Público voltem a advogar.
Publicado por: Audrey Furlaneto
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