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Realidade & Crítica

Considerações dentre modelos de integração econômica na Europa e na América L.
15/09/2004

     O economista norueguês Erik Reinert, professor da Universidade de Tecnologia de Tallin, na Estônia, e membro da fundação The Other Canon (O Outro Cânone), da Noruega, que está participando, no Rio de Janeiro, da Conferência Brasil e União Européia, a qual se iniciou em 13/09/2004 e se estenderá até 17/09/2004, concedeu entrevista à Folha de São Paulo, na qual teceu considerações acerca do tema que apresentará.
     
     Em seu estudo, Reinert faz uma comparação dos tipos de integração econômica existentes no mundo. Segundo ele, os melhores acordos econômicos são os “simétricos”, nos quais os países entram em igualdade de condições no que tange à produtividade, industrialização e renda.
     
     Estudioso dos processos de integração econômica e comercial entre países, Reinert entende que tais processos devem obedecer a etapas, ou seja, o primeiro passo seria o país desenvolver sua indústria, com o que poderia obter vantagens comparativas. Na sequência, viria a integração desse país com “iguais”, advindo daí a idéia de “integração simétrica”.
     
     Somente depois que a industrialização já está consolidada, é que os países devem partir para a “integração assimétrica”, ou seja, com países cujo desenvolvimento industrial já está avançado.
     
     Segundo Reinert, a não obediência a esse processo pode acarretar o surgimento de problemas que já vêm sendo detectados na Europa e que podem se agravar no futuro, citando como exemplo o caso dos antigos países do Leste do continente, como a antiga União Soviética. Ele argumenta que a desindustrialização desses países resultou na migração de mais trabalhadores para a agricultura, num processo que chama de “primitivização” da economia.
     
     Reinert argumenta que a extinção da indústria do Leste Europeu, em decorrência da queda do Muro de Berlin, em 1989, foi um erro, pois a mesma deveria ter sido melhorada. Ele entende que uma indústria pouco eficiente deve ser melhorada e não morta. Argumentou também que o custo total para integrar toda a Europa é exorbitante (1,25 trilhão de euros). Diante disso, prevê a possibilidade de tensão social na região, tendo em vista duas possibilidades: a Europa Ocidental não deixa a população do Leste entrar, impedindo-a de trabalhar no Ocidente, ou abaixa os salários. Nesse sentido já existe pressão das empresas para que as pessoas trabalhem 40 horas ao invés de 35, sem aumento de salários. Se não aceitarem, dizem as empresas, vamos buscar trabalhadores na Hungria, na Polônia. Enfim, o custo é a queda salarial em toda a Europa e o desemprego no Leste, num quadro muito semelhante ao dos anos 30.
     
     O economista defende a idéia de que toda a América Latina deveria se integrar, entretanto, o problema é que ela passou de um mercado pequeno muito protegido ao mercado mundial sem a etapa intermediária de integração regional, o que destruiu a indústria local, ou seja, quando se integra um país relativamente avançado a um relativamente atrasado, o que acontece é que a primeira indústria que morre é a mais avançada do país atrasado.
     
     É nesse sentido que a idéia de integração simétrica, como a que se procede em relação ao Mercosul, por exemplo, é a mais adequada para países subdesenvolvidos. Ou seja, em primeiro lugar se objetiva a integração regional, na qual os países formadores do bloco nele ingressam em igualdade de condições, preservando e melhorando o seu parque industrial e o seu potencial comercial, para, num estágio mais avançado, ingressar em pé de igualdade com os países mais avançados, em acordos assimétricos.
     
     Concluindo, Reinert diz que “...Fazer acordos da periferia com o centro é sempre a pior opção. Por isso, o papel de China, Brasil e África do Sul é muito importante. Eu digo aos peruanos que é melhor ser colônia do Brasil do que dos EUA.”

Publicado por: Jorge Willians Tauil

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