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Realidade & Crítica

Meninas de até 14 anos são principais vítimas de abuso
19/05/2004

     Último relatório do programa Sentinela revela que 59 das 115 vítimas em acompanhamento na cidade são meninas de zero a 14 anos
     
     A maioria das crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual em Londrina são meninas com até 14 anos de idade. O dado consta do último relatório trimestral encaminhado pela Secretaria Municipal de Assistência Social ao governo federal. O levantamento mostra que das 115 vítimas em atendimento pelo programa Sentinela, que acompanha casos de exploração e abuso sexual infanto-juvenil em Londrina, 12 são meninas com idade até 6 anos, 47 têm idade entre 7 e 14 anos e 14 têm entre 15 e 18 anos. No caso dos meninos, o maior número de ocorrências, ou seja, 16 registros, aparece entre as crianças com até 6 anos de idade. "Temos muita demanda na educação infantil. As atendentes dos centros de educação apontam cada vez mais casos", afirmou Silvia Cavalcante Vicentin, coordenadora do programa Sentinela.
     
     O relatório apresenta o perfil das vítimas acompanhadas, com dados sobre idade, gênero, cor, escolaridade e renda familiar. O material traz ainda dados sobre a origem dos encaminhamentos, os principais agressores e o número de familiares atendidos. Os dados do relatório servem de base para a elaboração do programa da 3ª Semana Municipal de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil, que foi aberta na terça-feira (dia 18). Com oficinas para a comunidade e para públicos específicos, a semana prevê ainda mesa-redonda para discutir as formas de segurança e proteção da criança e do adolescente.
     
     O levantamento mostra que a equipe do Sentinela, com psicólogos e assistentes sociais, atende 191 parentes de vítimas. A família também aparece no relatório da secretaria como a principal fonte de encaminhamento de casos: 49 vítimas são atendidas hoje graças à denúncia de familiares. Em segundo lugar aparece o Conselho Tutelar que encaminhou 35 vítimas das 115 acompanhadas pelo Sentinela.
     
     Ainda de acordo com o relatório, a maioria dos casos encaminhados ao programa é de abuso sexual. Do total de atendimentos, 102 são prestados a vítimas de estupro (no caso de meninas) ou conjunção carnal, além de seis casos de violência física e nove de exploração sexual (prostituição infantil). Segundo a coordenadora do programa, o número registrado de casos de exploração infantil reflete ainda a dificuldade na detecção e no encaminhamento das ocorrências. "Os casos de exploração que atendemos foram trazidos por outras vítimas ou educadores que atuam junto à comunidade e que já conheciam a criança", lembrou Viviane Tamihe Kawasaki, secretária do programa, que registra as denúncias feitas via telefone.
     
     As crianças brancas são as principais vítimas. Das 115 vítimas que recebem apoio psicológico do programa Sentinela, 34 são meninas brancas com idade entre sete e 14 anos, seguidas por 14 meninos também brancos com idade entre zero e 6 anos. Onze casos são de crianças e adolescentes negros, sendo oito meninas e três meninos. As vítimas de cor parda totalizam 29 casos.
     
     Quanto à renda familiar, a maioria das vítimas vive com renda de um a três salários mínimos. Ao todo, 60 crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual aparecem nesse tipo de classificação. Meninos e meninas com renda familiar de até um salário mínimo totalizam 41 casos e somente 14 estão em famílias que vivem com renda superior a três salários mínimos. O relatório mostra ainda que os principais agressores estão dentro da família: na somatória dos casos, o número de agressores dentro de casa passa de 70. Em 45 casos, o agressor não é da família da vítima. O segundo principal agressor são os pais das crianças: o programa tem registrados 21 casos desse tipo, seguidos por outros 20 casos em que o padrasto é o agressor. Com relação à escolaridade, 43 vítimas são alunos de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental, 35 estão entre a 5ª e 8ª séries e 17 freqüentam a educação infantil.

Publicado por: Audrey Furlaneto

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