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Transposição do Rio São Francisco
29/01/2005
A transposição do rio São Francisco tem sido motivo de debate há muito tempo, desde o período de Dom Pedro II, em 1847.
Historicamente, a região semi-árida do nordeste setentrional tem sofrido de forma contínua os efeitos de freqüentes e prolongadas estiagens com sérias conseqüências para parte da população. As causas são demasiadamente conhecidas, mas ainda não enfrentadas de forma estruturada e eficaz.
É sabido, que a escassez da disponibilidade hídrica, aliado ao limitado desenvolvimento econômico e social faz com que aproximadamente 10 milhões de pessoas sobrevivem sem condições dignas.
Ademais, o Polígono das Secas, confere o status de refugiados a milhões de nordestinos em busca de melhores condições de vida migram rumo ao litoral ou outras regiões como a sudeste e sul. Desta forma, contribuem com o crescimento caótico e desordenado das áreas metropolitanas.
Todavia, muitos governantes já fracassaram na missão em levar água ao sertão nordestino. Partindo-se dessa premissa, o Governo Federal está determinado em realizar uma grande obra de infra-estrutura, com investimentos em aproximadamente R$ 4,5 bilhões, e início neste ano. Será uma obra ambivalente?
Em síntese, o empreendimento constitui-se na criação de dois pontos de captação - Eixo Norte e Eixo Leste. O primeiro eixo terá uma extensão de 402 km, com início em Cabrobó (PE), onde partirão canais de distribuição hídrica para as bacias dos rios Jaguaribe (CE), Apodi (RN). Enquanto o Eixo Leste compreenderá aproximadamente 220 km, iniciando em Itaparica (PE), visando abastecer as bacias dos rios Paraíba (PB) e Moxotó (PE).
Ressalta-se, que os canais retrocitados, levarão água para os açudes que abastecem rios intermitentes (que secam de tempos em tempos). Os estados favorecidos com este empreendimento são Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, podendo beneficiar uma população de quase 10 milhões de habitantes.
Salienta-se, que a transposição de rios já foi realizada no Brasil, assim como em outros países como: Israel, EUA, Austrália e Espanha.
Diante desse prognóstico, torna-se oportuno fazer algumas considerações sobre a transposição.
Inicialmente, vale dizer que a bacia do Rio São Francisco, encontra-se genericamente impactada, a qual deveria ser recuperada de uma forma progressiva e sistemática. Faz-se mister conter, a devastação florestal instigada tanto pela agricultura itinerante como pela produção de carvão vegetal, que tem gerado significativos impactos às nascentes. Igualmente, é imprescindível recompor as matas ciliares, o controle do desbarrancamento das encostas, o desassoreamento e a perenização dos afluentes do semi-árido.
Após a recuperação do “Velho Chico” poder-se-ia com muita acuidade analisar a possibilidade de transposição, eis que precisa de um melhor estudo da relação caudal versus a vazão, pois o rio São Francisco é responsável por 95% da energia elétrica do nordeste.
Somente será possível ter um modelo autêntico de desenvolvimento e integração social no nordeste, quando forem extirpados o clientelismo, fisiologismo e a monopolização do uso dos açudes e promoverem a democratização e isonomia do acesso à água.
Se “apenas” isso for feito, um grande passo terá ocorrido, em prol de milhares de pessoas.
Fonte: Adriano Moreira Trindade
Publicado por: Adriano Moreira Trindade
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